O Acesso à Música Antes
Houve um tempo onde as pessoas só conseguiam ouvir música quando tocada ao vivo, na sua frente, por um músico ou instrumentista. Isso foi muito antes das internet, dos arquivos digitais de áudio, do CD, e do vinyl. Foi em uma época onde não existiam meios de captação e difusão de som.
Sem dúvida era uma época complicada para os amantes de música, pois não tinham acesso a qualquer momento, o que fazia com que muitos procurassem aprender a tocar um instrumento apenas para conseguir ter algum contato com ela quando desejassem.
Por outro lado eu imagino o quanto devia ser especial presenciar aquele momento único quando seu artista preferido vinha tocar na cidade. Esse sentimento ainda existe dentro de nós quando vamos assistir nossa banda preferida, mas com certeza tem uma magnitude muito menor.
O Acesso à Música Hoje
Nós somos abençoados, temos acesso a qualquer música de qualquer artista do mundo, pois, se foi gravado, está em algum lugar da internet. No entanto perdemos um pouco dessa “magia” que havia antigamente. Apesar de ainda termos acesso a shows, as circunstâncias são outras.
Antes você presenciava o show, curtia a música, mas também tinha acesso ao artista antes ou depois de sua apresentação, podia cumprimentar, trocar idéias, conversar sobre a vida, enfim, se conectar. Hoje nós vamos ao show, tentamos encontrar uma melhor posição no meio de uma multidão de pessoas, curtimoas a música, e depois vamos para casa. Perdemos a interação.
O Problema das Grandes Massas de Fãs
Isso até tem explicação, atualmente temos um número muito maior de pessoas no mundo, todas elas têm fácil acesso à música, o que acaba gerando milhares de fãs, e isso complica a conexão do artistas com seus fãs em grandes shows, pois não tem como abraçar ou apertar a mão de todos.
Imagine o caos que seria se grandes bandas como U2 ou Rolling Stones divulgassem que após o show iam no pub da esquina tomar uma rodada de cerveja! A confusão que aconteceu na passagem do Backstreet Boys pelo Rio de Janeiro é um ótimo exemplo.
Porém, cada vez mais os fãs sentem essa falta de conexão e, para muitos, apenas a música não é mais suficiente. E é aí que entra o ponto principal do post:
Não Adianta Apenas Fazer Música, Você Precisa se CONECTAR!
O Andrew Dubber, ao final do capítulo 20 de seu livro “The 20 Things You Must Know About Music Online“, afirma que atualmente o mercado musical é “… Sobre conversação, sobre conectividade, sobre relacionamento.“, e que “CDs e MP3s tornam-se cada vez mais meros brindes dentro de uma experiência musical …“, e eu concordo totalmente. As bandas e artistas que souberem explorar essa mudança vão estar sempre um passo a frente das outras.
Sei que a princípio pode parecer loucura encarar suas músicas em CDs e MP3s como brindes, afinal, várias horas de trabalho e estudo foram dedicadas em cima delas! Só que não confunda a desvalorização do CD e MP3 com a desvalorização de sua música, são coisas completamente diferentes. CD e MP3 são apenas um meio de distribuição de seu trabalho, a música está em um patamar muito maior (rolou uma discussão muito interessante sobre isso em outro post).
Existem diversas outras maneiras de valorizar sua música, e as principais são as que envolvem essa idéia da necessidade de interação entre músico e fã. Fazer uso de blogs e mídias sociais para manter contato direto com todos, desenvolver uma boa linha de produtos da banda, fazer vídeos sobre seu dia a dia, promover concursos, fornecer algum tipo de brinde especial em seus shows, realizar eventos utilizando as TVs online, criar enquetes ou discussões com seus fãs sobre assuntos da banda, enfim, é só usar a criatividade aliada à idéia de conexão.
Existem algumas bandas que estão aplicando muito bem essa idéia, você conhece alguma?

[...] Continuando um assunto que abordei em outro post, quero mostrar como certas iniciativas consideradas “simples” podem fazer a diferença na vida de fãs e pessoas que acompanham seu trabalho. [...]