O D.O.R não morreu!

Resolvi escrever um posto rápido para responder aos comentários que estou recebendo.

Infelizmente depois que mudei o host do meu site para um provedor americano eu estou diariamente sendo bombardeado por comentários com SPAM, e as vezes os comentários genuinos passam batidos. Peço desculpas por isso.

Nas próximas semanas devo colocar um novo post explicando o sumiço do blog e também os planos futuros.

Agradeço a todos que sempre apoiaram e continuam apoiando o meu trabalho.

Um abraço especoal para o Ilan Kriger por ter sempre mantido meu site em evidência.

Mais informações chegando logo!

Matanay e o Mercado Musical Nacional

Depois de um longo período sem atualizações e novidades (parte por falta de tempo, e parte por falta de assuntos e temas), resolvi escrever esse post sobre algo que me chamou muito a atenção na semana passada.

Acessando meus e-mails do dia a dia acabei me deparando com um do Guilherme Viotti sobre uma nova iniciativa para ajudar músicos e artistas brasileiros a entrarem no mercado, o Matanay. Como venho acompanhando e estudando o mercado musical desde 2008 resolvi me informar um pouco mais sobre o que seria.

Depois de ler o texto de divulgação e acessar o site, percebi que era um trabalho sério, inovador e muito interessante para o cenário musical brasileiro. São de idéias e projetos assim que o Brasil está precisando! Com isso não pensei duas vezes e entrei em contato com o Guilherme para realizar uma entrevista sobre o Matanay.

Particularmente gostei muito do contato com e mais ainda das respostas fornecidas. Espero que você também curta a entrevista abaixo e deixe sua opinião sobre o que achou das respostas do Guilherme Viotti e sua empresa Matanay.

Como surgiu a idéia de criar o Matanay?

Desde que eu trabalhava em uma grande gravadora no Rio de Janeiro (Biscoito Fino) e era responsável pelas vendas digitais e o website, que vendia discos físicos inclusive, eu tinha contato e pesquisava sobre novas mídias e formas de comercializar musica. Acabei me deparando com vários casos de sucesso que não dependiam do modelo tradicional de comercialização, muito conhecido até 10 anos atrás. Quando eu me desliguei da gravadora, me presenteei com dois cursos: o do PMI (project management institute) e o da Berklee College of Music, voltado para imprensa, promoção, distribuição e marketing digital sob o contexto atual do cenário musical no mundo todo. Destes cursos eu tirei as idéias finais para montar algo que ajudasse verdadeiramente um artista, banda ou mesmo uma gravadora dentro desse “admirável mundo novo” da música.

Como você define o trabalho realizado pelo Matanay?

Com a velocidade em que as coisas andam hoje em dia e a quantidade de opções que artistas musicais tem hoje em dia para produzir, distribuir, fazer apresentações e monetizar estes processos, algo está perdido no meio do caminho. Como chegar até o público alvo? o que fazer quando encontrar ele? quem pode me ajudar a realizar uma turnê Brasil a fora? quanto isso vai custar? como eu ganho dinheiro com isso tudo e pago minhas contas no fim do mês? Essa e outras perguntas podem ser respondidas através de noções de marketing antigas e que aliadas as novidades digitais, são muito mais baratas de ser executadas que a 10, 20 anos atrás.

O Matanay é um membro de banda que pensa nessas perguntas e em como respondê-las. Eu trago a minha experiência em “marketear” digitalmente uma gravadora inteira bem como a vastidão de artistas e lançamentos que a Biscoito Fino produziu até então, aliado as formas e tecnologias “de ponta” para trabalhar conteúdo e forma (assim como o Trent Reznor do NIN fez com o lançamento do Ghosts I-IV, um dos maiores cases de sucesso da atualidade. Ele gerou meio milhão de dólares em 48 horas utilizando ferramentas e estratégias de marketing digital).

Nos Estados unidos existem várias empresas como o Matanay, trabalhando para artistas de peso no cenário musical de lá. A minha intenção é trazer essa realidade para o Brasil.

Atualmente quais seriam suas principais ferramentas de trabalho?

Tudo começa com um planejamento adequado e customizado para o artista. Já dizia o gato de Alice no País das Maravilhas: Sem saber onde você quer chegar, qualquer caminho serve. Ou melhor, qualquer objetivo serve. Não saber onde você quer chegar é um erro que muitos as artistas e bandas fazem. Sem isso, você perdeu duas bases importantes: como eu vou chegar lá (metas de curto prazo), e saber se eu alcancei o que eu queria ou não, ou inclusive se preciso corrigir alguma coisa no meio do caminho. Ter 5 mil seguidores no twitter pode ser um objetivo, mas se isso não escrito em papel como um objetivo, acaba perdido entre tantas outras coisas que acontecem ao longo do caminho e quando você tiver cinco mil seguidores, outros objetivos maiores estarão pedindo sua atenção e a relevância de um twitter bem trabalho cai por terra.

Depois do “plano do projeto”, as ferramentas necessárias para alcançar os objetivos são definidas e damos prosseguimento. Ferramentas digitais (como sites analíticos, serviços de distribuição e redes sociais) São usadas diretamente, por serem fáceis, baratas (as de redes sociais são gratuitas em sua grande maioria) e para outras serviços, como fazer um website, executar a produção de uma turnê, etc, o matanay possui contato com empresas parceiras, que fecham diretamente com o artista.

O Matanay também oferece distribuição digital para as principais lojas de música digital no Brasil e no mundo como a Oi, Tim, Vivo, Claro, UOL, Terra, iMusica, etc.

Quais são suas principais fontes de informação sobre mercado musical?

Eu uso o Google reader para ler mais de 120 blogs por dia. Só de mercado fonográfico e cultura da música são em torno de 60, além de 3 podcasts que eu escuto regularmente (“Totem podcast”, “CD Baby DIY Musicians” e “5 minutes PM Podcast” com Ricardo Vargas).

Indicaria os blogs do Derek Silvers, Hypebot, Andrew Dubber, Seth Goldin e Music Think Tank.

O Matanay possui foco em algum estilo musical ou região do Brasil?

Não temos um foco específico, nem em estilo ou região. Se a proposta do artista for algo que o Matanay consiga trabalhar, então estamos dentro!

Já realizou trabalhos com artistas brasileiros?

Por enquanto o primeiro cliente é a gravadora do Erasmo Carlos, a Coqueiro Verde Records, e o trabalho desenvolvido tem sido de coordenação de marketing digital.

Tenho alguns possíveis clientes com propostas de distribuição de faixas e planejamento de carreira (um solo, uma banda e uma dupla sertaneja), mas não posso falar sobre esses clientes enquanto não fechamos contrato.

Qual sua opinião sobre o mercado musical brasileiro?

Desde as festas de aparelhagem em Belém do Pará, o Brasil tem mostrado potenciais imensos para acompanhar a re-invenção da cadeira produtiva da música. O que falta é seriedade dos artistas, apoio de prestadores de serviços e incentivo cultural do próprio País para realizar coisas mais impressionantes do que vemos em outros Países.

Como você enxerga o mercado musical mundial daqui a dez anos?

É bem dificil acreditar em alguma previsão tão longínqua. Se em 2000 alguém falasse que o Youtube seria a mídia mais democrática de streaming de música do mundo, muita coisa teria sido diferente.

Eu acredito que os potenciais do celular como meio para se consumir entretenimento como um todo ainda estão engatinhando.

Comprarando com o exterior, como estão os trabalhos musicais dos artistas brasileiros?

Falando genericamente, ainda é possivel perceber diferenças em termos de qualidade. São poucos os trabalhos realizados com tanto esmero e dedicação que arrebatam o público. Qualidade ainda é algo que o Brasileiro não preza tanto quanto preza inovar. Em termos de inovação, o Brasieiro dá aula!

Você trabalha, ou trabalhou, em outra área de música além do Matanay? Como foi essa experiência?

Em 1996 eu formei minha primeira banda séria. Em 1999 gravamos um CD independente e participamos de todas as etapas de produção. Ví que foi um pouco complicado, mas que era possivel gravar um CD sozinho e isso me despertou para trabalhar produzindo música. Depois disso fui trabalhar em estúdios, com produtores musicais e produtores de eventos. Me formei em administração de empresas em 2005 e até fevereiro desse ano estava no comando do website e da distribuição digital de todo o conteúdo da Biscoito Fino.

Eu também trabalhei como fotógrafo em uma agência e antes da Biscoito Fino eu era o faz-tudo de uma pequena importadora de notebooks.

Aprendi com os chefes e chefas mais cascudos que tem por aí. Desde a Cíntia Porfírio, ex-diretora de marketing da apple, que me deu um esporro no meu segundo dia de trabalho até a Kati Almeida Braga, que só de acompanhar como ela trabalha gerenciando mais de uma dúzia de empresas todo o dia já vale um MBA. Com isso você perde o medo de ousar, aprende como ser rápido e eficaz e principalmente, você erra muito. Sem errar não dá pra aprender nada, não dá pra ter sucesso. Inclusive eu digo isso para os clientes e futuros clientes do Matanay: Não se trata das respostas em como ter sucesso com música (se eu tivesse essas respostas, estaria rico com todas as gravadoras me pagando rios de dinheiro para ajudá-las a transformar prejuízo em lucro). O Matanay ajuda a montar o foco certo, definir estratégias certas, ajudar a realizar, medir e saber corrigir o caminho para o que o artista quer alcançar.

Quais são suas metas para 2011?

O Matanay está começando agora (lançamos nossos serviços no dia 1º de Novembro de 2010). Tenho certeza que 2011 aguarda muita coisa boa para o Matanay e para seus clientes.

A meta realista é conseguir mais clientes e aumentar o portfólio de casos de sucesso. Com essas duas metas cumpridas, o ano já vai ser um sucesso!

Que dica você daria para quem está entrando agora no mercado musical?

Se você quer ser a lady Gaga, se prepare pra penar muito. Se quer ser um artista que paga as contas no fim do mês, saiba que vai trabalhar 8 horas por dia como qualquer engravatado do centro da cidade. A diferença é que você será seu chefe, e se manter na linha ou estimulado todo o santo dia é algo bem complicado de conseguir.

O mito do artista que tem talento, ganha um “advanced” (aporte inicial) milionário da gravadora e vai ficar em casa tocando violão o dia inteiro, além de ser quase mentiroso, hoje em dia é completamente irreal. Ter talento é como falar inglês: hoje em dia é fundamental e básico. Mas sem trabalhar seu talento e tudo que existe em volta dele todo o dia, é praticamente impossível chegar a algum objetivo.

Contatos:

Blog – http://www.matanay.com/blog-matanay

Site – http://www.matanay.com

E-mail – guilherme@matanay.com

Investimento em Música – Caro ou Necessário?

Hoje fechei o orçamento inicial para o lançamento do meu EP, um total em torno de R$13.000,00. Que é um valor elevado, isso é indiscutível, mas será que também não é necessário?

Esse preço inclui todas as etapas, produtos, e pagamentos necessários para realizar o trabalho que pretendo fazer: horas de gravação em estúdio, cachê de músicos, horas de mixagem, preços de masterização, logomarca, design gráfico, etc.

No momento que cheguei a esse número eu pensei “Ferrou! É muita grana, não rola…”, mas pensando melhor e analisando o que terei em mãos no final das contas já fiquei em dúvida se não seria isso mesmo. Tudo depende do retorno que esse trabalho vai me dar.

Fazendo uns cálculos rápidos eu concluí que para ter um retorno de R$15.000,00 (15% de lucro) eu teria que atingir uma base de quase 10mil pessoas, sendo que ao menos 15% dessas pessoas estivessem dispostas a gastar entre 10 ou 15 reais nos meus lançamentos, podendo ser na música ou produtos.

Confesso que me parece um número totalmente ilusório e um valor fora da minha realidade. Provavelmente terei que refazer as contas e pensar em outra maneira de lançar esse EP.

O que você acha? São números coesos ou estão fora da realidade brasileira?