Resolvi escrever um posto rápido para responder aos comentários que estou recebendo.
Infelizmente depois que mudei o host do meu site para um provedor americano eu estou diariamente sendo bombardeado por comentários com SPAM, e as vezes os comentários genuinos passam batidos. Peço desculpas por isso.
Nas próximas semanas devo colocar um novo post explicando o sumiço do blog e também os planos futuros.
Agradeço a todos que sempre apoiaram e continuam apoiando o meu trabalho.
Um abraço especoal para o Ilan Kriger por ter sempre mantido meu site em evidência.
Hoje resolvi fazer um post bem direcionado à cidade de Curitiba que é onde trabalho e moro atualmente. No entanto muito do que vou comentar aqui vale para qualquer cidade. O post acabou ficando enorme, mas recomendo ter um pouco de paciência e ler até o final, garanto que vale a pena!
Primeiro quero deixar claro que tudo o que está escrito abaixo é somente uma opinião pessoal minha, afinal, isso é um blog. Então levem isso e consideração enquanto estiverem lendo o texto.
A inspiração do post saiu de um vídeo colocado no YouTube que foi gravado pelo alunos do 3º ano de Jornalismo da Universidade Positivo em Curitiba. Eles entrevistaram três pessoas que trabalham com música na cidade:
Obviamente a opinião de somente três profissionais não representam toda uma cidade, mas posso dizer que chegam bem próximos do que a maioria pensa por aqui. Portanto antes de continuar lendo assistam ao vídeo abaixo com a reportagem.
Vamos aos pontos principais abordados no vídeo. Coloquei ao lado de cada tópico a minutagem que o assunto começa para que possa acompanhar mais facilmente.
1) Carreira Musical em Curitiba (02:35 do vídeo)
Realmente a carreira musical em Curitiba é difícil, mas a questão é que o problema não é a cidade e sim a carreira em si. Viver de música é difícil em qualquer parte do mundo hoje em dia, não adianta se iludir. Para conseguir retorno e sucesso você precisa estudar muito, trabalhar muito, se dedicar muito, ser muito bom no que você faz, contar com um pouco de sorte e ainda estabelecer uma boa rede de contatos.
Talvez a pergunta e a resposta tenha sido mal colocada e o correto seria perguntar sobre o mercado musical em Curitiba, mas vou falar sobre isso mais abaixo.
2) “Cena Musical” de Curitiba (03:00 do vídeo)
Eu sempre torço o nariz quando escuto essa expressão “cena musical”. Para mim isso é muito abstrato e envolve tantos fatores que fica inviável de dizer se existe ou não uma real cena acontecendo. Todo fim de semana temos festas com DJs e música eletrônica, assim como eventos e festas ligadas ao Hip-Hop, e também diversos shows underground com bandas de estilos alternativos, hardcore, e outros.
Isso não pode ser considerado como uma cena musical? No meu ponto de vista sim, mas se essa cena musical traz dinheiro e reconhecimento é outra história.
E é isso que eu acho que eles tentaram abordar nesse ponto do vídeo: o reconhecimento local de bandas e artistas musicais. Eu concordo quando dizem que o retorno é muito pequeno por aqui, mas faltou falar das razões por trás disso. Muitas delas envolvem o seguinte:
Músicos com pouco estudo e/ou técnica;
Donos de casas e eventos que não sabem promover e administrar um negócio;
Produtores e promoters de festa que não sabem divulgar e fazer bons contatos;
Rádios e Redes de TV locais que não sabem montar bons programas em bons horários e que copiam a “receita de bolo” de outras cidades;
Motivos políticos e econômicos que bloqueiam novas idéias e propostas promissoras
Baixa atitude profissional na organização de contratos e direitos
São diversos fatores que prejudicam o reconhecimento local, mas para mim o principal é a falta de contato e união que existe por aqui. Eu sempre fico impressioando quando percebo que as bandas não se comunicam, que as produtoras não se comunicam, que as casas não se comunicam, enfim, que os profissionais do mercado da música local não se comunicam!
Como uma cidade quer ter reconhecimento musical nacional se nem nela mesma existe isso? Todos ficam preocupados em aparecer, mas esquecem que para isso precisam dar as mãos para os “colegas de mercado” que estão no mesmo barco.
No momento que isso mudar tenho certeza de que o reconhecimento vem. Precisa de um exemplo? Seattle com a explosão grunge no final dos anos 80 e início dos anos 90. Por que São Paulo e Rio de Janeiro são referências nacionais? Oras, lá todo mundo se conhece e sabe o que está rolando.
3) Oportunidade em Curitiba (05:07 do vídeo)
Isso tem um pouco a ver com o que foi colocado acima, mas vou elaborar em cima do que foi falado no vídeo.
Primeiro precisa ficar claro que, a princípio, o único objetivo de um bar ou festival é ter público e ganhar dinheiro. Se um artista ou promoter desconhecido aparece em uma casa para fechar um evento é óbvio que não vão aceitar. Para que movimentar empregados, segurança e toda logística necessária para abrir uma casa se não existe garantia alguma de que o evento dá dinheiro?
Outro ponto é que antes de tudo, quem precisa saber que o show vai dar certo é a própria equipe que está organizando. Se a própria equipe não quer investir ou bancar então algo está muito errado. Pode ter certeza de que se você banca um evento inteiro e consegue um ótimo lucro, na próxima vez a casa vai pensar duas vezes antes de deixar tudo na sua mão e perder a chance de pegar uma porcentagem do lucro. E se mesmo assim isso não acontecer, quem perde é a casa.
Lógico que tudo precisa de investimento, e quem não tem dinheiro do próprio bolso para colocar faz o que? Simples, monta um ótimo projeto escrito com todos os pontos bem explicados, que prove o retorno financeiro do evento, e procura por patrocínio ou investidores. Sinceramente acho difícil acreditar que mesmo assim as coisas não funcionam.
Todo bom investidor sabe identificar onde é bom e onde é ruim colocar seu capital, se ele não aceitou sua proposta então ela não estava boa, pode aceitar.
4) Valorização da Arte em Curitiba (05:43 do vídeo)
Acho que aqui rolou uma confusão muito comum entre arte e mercado musical.
Se alguém quer que sua arte tenha espaço e seja valorizada, existem espaços para isso, mas antes tenha certeza de que sua arte realmente mereça ser valorizada. Comprar um violão, baixar tablatura e sair tocando Beatles não é fazer arte.
No Brasil existem diversas leis de incentivo à arte e cultura, se o objetivo é ter a arte valorizada então eu recomendo procurar mais informações. Em Curitiba nós temos a Fundação Cultural de Curitiba para isso.
Já o mercado musical procura outra coisa, o dinheiro. Se sua arte não traz dinheiro então você não vai entrar no mercado musical ou o “mainstream” como foi colocado.
Muitos músicos ficam anos batalhando e desistem frustrados, e isso realmente é complicado e triste, mas de quem realmente é a culpa? Se formos analisar boa parte dos casos, o que acabou faltando foi primeiramente a boa música, e também a falta de planejamento e profissionalismo.
5) Aceitação do que é “Novo” em Curitiba (07:23 do vídeo)
Esse trecho me incomodou bastante por duas razões.
Primeiro porque não tem ninguém em Curitiba fazendo nada de novo ou revolucionário, pode ter certeza. E isso acontece porque a música como um todo chegou num ponto de saturação, tudo já foi explorado em termos de notas, rítmica, harmonia e eletroacústica. E como ainda não tem ninguém tentando descobrir uma nova dimensão sonora conectando um cabo ao seu cérebro, então não, não tem nada de novo.
Segundo porque faltou um pouco de conhecimento histórico de como a música funciona na humanidade. Novos estilos e propostas musicais nunca foram aceitas em sua época, independente de onde a pessoa esteja. Diversos compositores morreram pobres e solitários antes de sua música ser valorizada, então não podemos dizer que isso é algo singular de Curitiba.
Talvez o que quiseram passar no vídeo é que novos artistas não são bem aceitos. E isso também é mais do que normal. Vivemos em uma época de spam de informações nas mídias, sempre com “novos sons” ou “novos estilos” e para um leigo fica realmente difícil separar um tempo para ouvir aquela nova banda da cidade.
E com isso o que resta é justamente o que foi colocado pela Maricel em seguida, que os artistas primeiro precisam criar um público para depois conseguirem buscar mais oportunidades. E isso não é algo ruim, é algo necessário na carreira artística de qualquer um. Se você não consegue criar um público então é melhor desistir agora, ou então se conformar em só colocar sua música online para registro.
O mais incrível é que vivemos em uma época onde temos milhares de ferramentas e opções de divulgaçao para a música, o que facilita demais um artista ser reconhecido. Hoje em dia uma banda que souber como a internet e seu público alvo funciona é só por a mão na massa que ela consegue montar um público mínimo. Quer um exemplo novamente? Veja o canal do Boyce Avenue no Youtube, são somente covers, mas deu certo, vive somente disso e ainda está para fazer turnê na Europa! E não vale dizer que é superproduzido, acompanhe os primeiros vídeos e veja como tudo começou.
6) Considerações Finais
Gostei muito de ter isto esse vídeo, pois mostra que ao menos existem mais pessoas preocupadas com o mercado, mas seria bom também mostrar soluções e novas propostas. Não adianta somente reclamar, precisa trabalhar para mudar isso.
Eu atualmente não sou ninguém no mercado musical, mas estou tentando mudar isso. Tenho feito contato com pessoas 20 anos mais velhas do que eu e também pessoas 20 anos mais novas, pessoas com opinioes totalmente diferentes, e pessoas com idéias malucas e revolucionárias. Inclusive conheço o trabalho das três pessoas no vídeo, e encontrei pessoalmente com duas delas.
E por que isso é necessário? Simplesmente porque independente do que cada um de nós faz ou pensa, no aspecto geral estamos todos envolvidos na mesma área que é o mercado musical.
Precisamos encontrar uma forma de trabalhar juntos e de conhecer o trabalho de todos. Só assim é que o resultado virá, e que vamos conseguir reverter o quadro desfavorável.
Para fechar de vez esse enorme texto, vejam um documentário parecido realizado em São Paulo com o foco no futuro da música, o WE.MUSIC:
Depois de quase um ano, finalmente estou disponibilizando um pouco do meu novo trabalho musical. E para comemorar, tenho uma proposta especial só para você que acompanha meu blog e meu trabalho, mas antes quero explicar um pouco do caminho que foi para chegar até aqui.
A razão de ter demorado tanto para chegar em um resultado é que o objetivo foi mudando muito durante o processo. Até conseguir atingir uma forma que eu me identificasse levou um bom tempo e diversos estudos de som e música. Só para ter uma idéia do que estou falando, foram mais de 40 idéias musicais pré-arranjadas, onde acabei selecionando por volta de dez para serem a cara do BR0K3n.
Já o nome BR0K3N me veio a muito pouco tempo quando estava acompanhando uma discussão em cima de um jogo muito famoso no mundo. A conversa era sobre os defeitos e erros do jogo, e da revolta dos jogadores com as respostas dos desenvolvedores que sempre mandavam o chavão “Working as Intended” que traduzido significa “Funcionando como Esperado”. Até que chegou num ponto onde um dos revoltados mandou a resposta crítica “More like: Broken as Intended”, que significa “Tá mais para: Quebrado como Esperado” ou algo assim.
Apesar de simples e engraçada (considerando a situação) eu achei a frase genial, tanto que quase nomeei o projeto de “Broken as Intended”, mas optei por algo mais curto e direto. Os números “0″ e “3″ no lugar do “O” e “E” foi para puxar um pouco o lado digital que vem no som e, sinceramente, o meu grande lado Nerd que não pretendo esconder, que puxa o lado “L33T T4LK”, um modo de escrever trocando vogais por números (dá para ir mais além e trocar consonantes, como l por 1, t por +, etc).
O nome acabou encaixando como uma luva, pois boa parte do som utiliza distorções, saturações, sínteses malucas, ou seja, o próprio som é quebrado e é boa parte digital, então foi algo que fez total sentido para mim e resolvi abraçar.
E o último ponto que resolvi inserir foi algo que desenvolvedores de softwares vem fazendo a anos, que é fornecer o programa aos usuários e atualizar as ferramentas de acordo com o feedback de cada um. Por isso não fique surpreso ao reparar que a maioria das músicas virão sempre com uma “versão X” ao lado dela, pois a minha idéia é justamente evoluir de acordo com o retorno que terei de todos.
E é aí que entra a minha proposta. Já estou com duas músicas disponibilizadas no meu Soundcloud e quero compartilhar uma delas com você para que possa analisar e me passar o que achou e o que poderia ser melhorado. Ela está disponível em modo privado então só é possível acessar com o seguinte link:
Essa semana o grande empresário e visionário Ilan Kriger, em sociedade com as agências 3Plus, DJcom e Go2, lançou a empresa VipeClube que promete revolucionar o mercado nacional de eventos e festas de música.
A idéia por trás da empresa é simples, entenda como funciona:
1) Um núcleo, clube ou promoter cria o projeto de um evento e apresenta a quantia de dinheiro necessária para que ele se realize.
2) O VipeClube promove o evento em seu site e organiza a venda dos ingressos antecipados.
3) O público compra os ingressos, ajuda a financiar o evento, e concorre a diversos prêmios.
4) Nenhum dinheiro é movimentado até que todo o orçamento do evento seja pago.
5) Caso a venda de ingressos extras ultrapasse o valor necessário, o público que comprou os primeiros ingressos tem seu dinheiro reembolsado e vão na festa de graça!
É um sistema onde ninguém perde, pois a festa só se realiza quando os criadores tem o dinheiro em mãos, e o público só é cobrado quando o montante é atingido e a realização da festa for garantida. Sem contar os prêmios e vantagens oferecidos para quem aposta na idéia (veja um exemplo nesse post).
A meu ver essa é uma grande sacada e sem dúvida será uma tendência no mercado, não só de música, mas de eventos em geral. Inicialmente o VipeClube irá trabalhar somente com música eletrônica, mas acredito que em um futuro próximo as portas irão se abrir para todos os segmentos.
Eu já conhecia sistemas parecidos em sites internacionais que visam auxiliar bandas e artistas a lançarem seu album (Sell a Band e Slice the Pie), mas no setor de eventos foi a primeira vez que vi algo parecido. Tenho certeza de que a proposta do VipClube será um sucesso e deixo meus parabéns aos idealizadores.
Para mais informações leia abaixo o release oficial da empresa e acesse os links ao final do post.
Os sites de compra coletiva não são moda e sim uma tendência que veio para ficar, quem não quer comprar com segurança um ingresso, produto, pacote turístico ou curso, sem precisar sair de casa e ainda ganhando descontos e benefícios?
O VipeClube é muito mais que um site de compra coletiva, nós trabalhamos apenas com música eletrônica (que já é um mundo enorme) – quem está por trás da ferramenta entende o mercado e todas as aspirações do público, promoters e donos de casas noturnas.
Quando você une em um mesmo projeto as duas maiores e renomadas agências de DJs do Brasil – 3Plus e Djcom, uma premiada empresa de web designer – Go2 – com um DJ, professor e blogueiro profissional – Ilan Kriger, o resultado só pode ser um.
Grandes forças da música eletrônica nacional como: Warung Beach Club, Rio Music Conference, MixMag e Dance Paradise já apostaram nesta ideia – quando você vai entrar neste time?
Para não fechar o ano sem novas informações resolvi fazer esse pequeno post contando um pouco sobre o que aconteceu no segundo semestre e também para agradecer seu apoio durante todo o ano.
Infelizmente o dia ficou muito mais curto para mim no segundo semestre. Com duas novas propostas de trabalho, além das aulas que ministro no Centro Europeu/AIMEC, meu dia a dia ficou muito corrido e ficou bem difícil de conciliar o D.O.R com o restante. Foi necessário desacelerar o conteúdo no blog e vídeos e dediquei o pouco tempo que sobrava para a produção do meu EP (ainda em andamento depois de muitos problemas e atrasos). No vídeo abaixo você pode conferir como está saindo o primeiro single!
O lado bom é que consegui mais experiência e informações em áreas importantes do áudio e música, e também uma renda extra para investir na minha carreira. Com isso vou disponibilizar mais informações e mais músicas em 2011 e espero compensar esses seis meses de ausência.
Aproveitei e gravei um vídeo curto falando um pouco sobre isso, agradecer por todo o apoio e também desejar a você e a todos que me acompanham um feliz 2011!
Obrigado por toda a ajuda, divulgação, idéias, comentários, força e interação que me proporcionou nesse ano de 2010.
Estou ancioso por 2011 e fico esperando todos vocês por aqui novamente no ano que vem.
Depois de um longo período sem atualizações e novidades (parte por falta de tempo, e parte por falta de assuntos e temas), resolvi escrever esse post sobre algo que me chamou muito a atenção na semana passada.
Acessando meus e-mails do dia a dia acabei me deparando com um do Guilherme Viotti sobre uma nova iniciativa para ajudar músicos e artistas brasileiros a entrarem no mercado, o Matanay. Como venho acompanhando e estudando o mercado musical desde 2008 resolvi me informar um pouco mais sobre o que seria.
Depois de ler o texto de divulgação e acessar o site, percebi que era um trabalho sério, inovador e muito interessante para o cenário musical brasileiro. São de idéias e projetos assim que o Brasil está precisando! Com isso não pensei duas vezes e entrei em contato com o Guilherme para realizar uma entrevista sobre o Matanay.
Particularmente gostei muito do contato com e mais ainda das respostas fornecidas. Espero que você também curta a entrevista abaixo e deixe sua opinião sobre o que achou das respostas do Guilherme Viotti e sua empresa Matanay.
Como surgiu a idéia de criar o Matanay?
Desde que eu trabalhava em uma grande gravadora no Rio de Janeiro (Biscoito Fino) e era responsável pelas vendas digitais e o website, que vendia discos físicos inclusive, eu tinha contato e pesquisava sobre novas mídias e formas de comercializar musica. Acabei me deparando com vários casos de sucesso que não dependiam do modelo tradicional de comercialização, muito conhecido até 10 anos atrás. Quando eu me desliguei da gravadora, me presenteei com dois cursos: o do PMI (project management institute) e o da Berklee College of Music, voltado para imprensa, promoção, distribuição e marketing digital sob o contexto atual do cenário musical no mundo todo. Destes cursos eu tirei as idéias finais para montar algo que ajudasse verdadeiramente um artista, banda ou mesmo uma gravadora dentro desse “admirável mundo novo” da música.
Como você define o trabalho realizado pelo Matanay?
Com a velocidade em que as coisas andam hoje em dia e a quantidade de opções que artistas musicais tem hoje em dia para produzir, distribuir, fazer apresentações e monetizar estes processos, algo está perdido no meio do caminho. Como chegar até o público alvo? o que fazer quando encontrar ele? quem pode me ajudar a realizar uma turnê Brasil a fora? quanto isso vai custar? como eu ganho dinheiro com isso tudo e pago minhas contas no fim do mês? Essa e outras perguntas podem ser respondidas através de noções de marketing antigas e que aliadas as novidades digitais, são muito mais baratas de ser executadas que a 10, 20 anos atrás.
O Matanay é um membro de banda que pensa nessas perguntas e em como respondê-las. Eu trago a minha experiência em “marketear” digitalmente uma gravadora inteira bem como a vastidão de artistas e lançamentos que a Biscoito Fino produziu até então, aliado as formas e tecnologias “de ponta” para trabalhar conteúdo e forma (assim como o Trent Reznor do NIN fez com o lançamento do Ghosts I-IV, um dos maiores cases de sucesso da atualidade. Ele gerou meio milhão de dólares em 48 horas utilizando ferramentas e estratégias de marketing digital).
Nos Estados unidos existem várias empresas como o Matanay, trabalhando para artistas de peso no cenário musical de lá. A minha intenção é trazer essa realidade para o Brasil.
Atualmente quais seriam suas principais ferramentas de trabalho?
Tudo começa com um planejamento adequado e customizado para o artista. Já dizia o gato de Alice no País das Maravilhas: Sem saber onde você quer chegar, qualquer caminho serve. Ou melhor, qualquer objetivo serve. Não saber onde você quer chegar é um erro que muitos as artistas e bandas fazem. Sem isso, você perdeu duas bases importantes: como eu vou chegar lá (metas de curto prazo), e saber se eu alcancei o que eu queria ou não, ou inclusive se preciso corrigir alguma coisa no meio do caminho. Ter 5 mil seguidores no twitter pode ser um objetivo, mas se isso não escrito em papel como um objetivo, acaba perdido entre tantas outras coisas que acontecem ao longo do caminho e quando você tiver cinco mil seguidores, outros objetivos maiores estarão pedindo sua atenção e a relevância de um twitter bem trabalho cai por terra.
Depois do “plano do projeto”, as ferramentas necessárias para alcançar os objetivos são definidas e damos prosseguimento. Ferramentas digitais (como sites analíticos, serviços de distribuição e redes sociais) São usadas diretamente, por serem fáceis, baratas (as de redes sociais são gratuitas em sua grande maioria) e para outras serviços, como fazer um website, executar a produção de uma turnê, etc, o matanay possui contato com empresas parceiras, que fecham diretamente com o artista.
O Matanay também oferece distribuição digital para as principais lojas de música digital no Brasil e no mundo como a Oi, Tim, Vivo, Claro, UOL, Terra, iMusica, etc.
Quais são suas principais fontes de informação sobre mercado musical?
Eu uso o Google reader para ler mais de 120 blogs por dia. Só de mercado fonográfico e cultura da música são em torno de 60, além de 3 podcasts que eu escuto regularmente (“Totem podcast”, “CD Baby DIY Musicians” e “5 minutes PM Podcast” com Ricardo Vargas).
O Matanay possui foco em algum estilo musical ou região do Brasil?
Não temos um foco específico, nem em estilo ou região. Se a proposta do artista for algo que o Matanay consiga trabalhar, então estamos dentro!
Já realizou trabalhos com artistas brasileiros?
Por enquanto o primeiro cliente é a gravadora do Erasmo Carlos, a Coqueiro Verde Records, e o trabalho desenvolvido tem sido de coordenação de marketing digital.
Tenho alguns possíveis clientes com propostas de distribuição de faixas e planejamento de carreira (um solo, uma banda e uma dupla sertaneja), mas não posso falar sobre esses clientes enquanto não fechamos contrato.
Qual sua opinião sobre o mercado musical brasileiro?
Desde as festas de aparelhagem em Belém do Pará, o Brasil tem mostrado potenciais imensos para acompanhar a re-invenção da cadeira produtiva da música. O que falta é seriedade dos artistas, apoio de prestadores de serviços e incentivo cultural do próprio País para realizar coisas mais impressionantes do que vemos em outros Países.
Como você enxerga o mercado musical mundial daqui a dez anos?
É bem dificil acreditar em alguma previsão tão longínqua. Se em 2000 alguém falasse que o Youtube seria a mídia mais democrática de streaming de música do mundo, muita coisa teria sido diferente.
Eu acredito que os potenciais do celular como meio para se consumir entretenimento como um todo ainda estão engatinhando.
Comprarando com o exterior, como estão os trabalhos musicais dos artistas brasileiros?
Falando genericamente, ainda é possivel perceber diferenças em termos de qualidade. São poucos os trabalhos realizados com tanto esmero e dedicação que arrebatam o público. Qualidade ainda é algo que o Brasileiro não preza tanto quanto preza inovar. Em termos de inovação, o Brasieiro dá aula!
Você trabalha, ou trabalhou, em outra área de música além do Matanay? Como foi essa experiência?
Em 1996 eu formei minha primeira banda séria. Em 1999 gravamos um CD independente e participamos de todas as etapas de produção. Ví que foi um pouco complicado, mas que era possivel gravar um CD sozinho e isso me despertou para trabalhar produzindo música. Depois disso fui trabalhar em estúdios, com produtores musicais e produtores de eventos. Me formei em administração de empresas em 2005 e até fevereiro desse ano estava no comando do website e da distribuição digital de todo o conteúdo da Biscoito Fino.
Eu também trabalhei como fotógrafo em uma agência e antes da Biscoito Fino eu era o faz-tudo de uma pequena importadora de notebooks.
Aprendi com os chefes e chefas mais cascudos que tem por aí. Desde a Cíntia Porfírio, ex-diretora de marketing da apple, que me deu um esporro no meu segundo dia de trabalho até a Kati Almeida Braga, que só de acompanhar como ela trabalha gerenciando mais de uma dúzia de empresas todo o dia já vale um MBA. Com isso você perde o medo de ousar, aprende como ser rápido e eficaz e principalmente, você erra muito. Sem errar não dá pra aprender nada, não dá pra ter sucesso. Inclusive eu digo isso para os clientes e futuros clientes do Matanay: Não se trata das respostas em como ter sucesso com música (se eu tivesse essas respostas, estaria rico com todas as gravadoras me pagando rios de dinheiro para ajudá-las a transformar prejuízo em lucro). O Matanay ajuda a montar o foco certo, definir estratégias certas, ajudar a realizar, medir e saber corrigir o caminho para o que o artista quer alcançar.
Quais são suas metas para 2011?
O Matanay está começando agora (lançamos nossos serviços no dia 1º de Novembro de 2010). Tenho certeza que 2011 aguarda muita coisa boa para o Matanay e para seus clientes.
A meta realista é conseguir mais clientes e aumentar o portfólio de casos de sucesso. Com essas duas metas cumpridas, o ano já vai ser um sucesso!
Que dica você daria para quem está entrando agora no mercado musical?
Se você quer ser a lady Gaga, se prepare pra penar muito. Se quer ser um artista que paga as contas no fim do mês, saiba que vai trabalhar 8 horas por dia como qualquer engravatado do centro da cidade. A diferença é que você será seu chefe, e se manter na linha ou estimulado todo o santo dia é algo bem complicado de conseguir.
O mito do artista que tem talento, ganha um “advanced” (aporte inicial) milionário da gravadora e vai ficar em casa tocando violão o dia inteiro, além de ser quase mentiroso, hoje em dia é completamente irreal. Ter talento é como falar inglês: hoje em dia é fundamental e básico. Mas sem trabalhar seu talento e tudo que existe em volta dele todo o dia, é praticamente impossível chegar a algum objetivo.
Essa semana entreguei a primeira música do projeto paralelo “BR0K3N“, em formato de remix, para o concurso de remixes do site FiXT Remix. Indico esse site para quem curte desafios e deseja explorar novas tendências musicais. É um ótimo meio de entrar em contato com diferentes opiniões do mundo inteiro, além de concorrer a prêmios interessantes.
A música original do concurso chama-se “Fashion Viktums” e é da banda “Cyanotic“. Recomendo escutarem a versão original no MySpace dos caras, pois abordei o remix de uma forma bem diferente. Escolhi a linha rítmica do Drum&Bass, inseri novas linhas de guitarra e criei um baixo de duas camadas em formato de cama sonora.
Foi uma nova experiência e fiquei satisfeito com o resultado. Já estou trabalhando no próximo e também nas músicas que pretendo lançar em um futuro EP. Acompanhe o meu Soundcloud para ficar por dentro de novas músicas, e escute o remix da “Fashion Viktums” abaixo.
Hoje fechei o orçamento inicial para o lançamento do meu EP, um total em torno de R$13.000,00. Que é um valor elevado, isso é indiscutível, mas será que também não é necessário?
Esse preço inclui todas as etapas, produtos, e pagamentos necessários para realizar o trabalho que pretendo fazer: horas de gravação em estúdio, cachê de músicos, horas de mixagem, preços de masterização, logomarca, design gráfico, etc.
No momento que cheguei a esse número eu pensei “Ferrou! É muita grana, não rola…”, mas pensando melhor e analisando o que terei em mãos no final das contas já fiquei em dúvida se não seria isso mesmo. Tudo depende do retorno que esse trabalho vai me dar.
Fazendo uns cálculos rápidos eu concluí que para ter um retorno de R$15.000,00 (15% de lucro) eu teria que atingir uma base de quase 10mil pessoas, sendo que ao menos 15% dessas pessoas estivessem dispostas a gastar entre 10 ou 15 reais nos meus lançamentos, podendo ser na música ou produtos.
Confesso que me parece um número totalmente ilusório e um valor fora da minha realidade. Provavelmente terei que refazer as contas e pensar em outra maneira de lançar esse EP.
O que você acha? São números coesos ou estão fora da realidade brasileira?
Para quem não sabe eu também fui DJ, apresentava sets de breakbeat nas poucas festas que me ofereciam essa oportunidade, em sua maioria festas de Drum&Bass, sob o nome de “DJ R. Cabelo” ou apenas “DJ Cabelo” (apesar de nem ser cabeludo… é uma longa história). Nunca foi um estilo muito atrativo para o público de Curitiba, mas eu curtia muito o estilo (e ainda curto), e sem dúvida foi uma grande experiência e influência musical.
Esse fim de semana estava fuçando nas minha antiga HD e encontrei esse set que gravei em Setembro de 2006, um dos últimos antes de embarcar forte na área de produção musical. Resolvi ressucitar e compartilhar com você, escute abaixo. Ainda não encontrei a lista das músicas utilizadas, assim que achar eu insiro ela aqui e no Soundcloud.
No entanto eu nunca fui um grande DJ, faltava talento e técnica nas mixagens (como pode ser reparado principalmente no minuto 19:30 acima, vixi…), além do necessário carisma e contato com o público.
Como não tenho lançado nada recente achei que seria interessante compartilhar essa antiga etapa… ou não!